Como é o backstage do SXSW, um dos maiores eventos de inovação do mundo

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Fui para Austin como voluntária e aproveitei o melhor do festival, dentro e fora dos bastidores

-       Por Silvia Guerra


 

Participar do South by Southwest (SXSW), o maior festival de criatividade, inovação e cultura sempre foi uma vontade, especialmente nos últimos cinco anos, quando tomei mais conhecimento do que ele representa.

Em março, pude fazer minha estreia, de uma maneira bem inusitada, inclusive para os mais habitués do festival: fui voluntária. Em contrapartida ao trabalho voluntário, tive direito a uma credencial, que deu acesso ao festival como participante. E foi assim que fui para Austin, no Texas, conferir de perto o SXSW.

 
Dia 1 do Voluntariado, na pausa do almoço

Dia 1 do Voluntariado, na pausa do almoço

Foram experiências incríveis e cada uma delas explodiu minha cabeça de alguma maneira. Como voluntária, o acesso aos bastidores mostrou que a palavra de ordem é organização. O famoso se organizar direitinho, todo mundo...aproveita.

Isso me impressionou, já que a organização se preocupava com os mínimos detalhes, inclusive com a hierarquia das equipes. Das duas em que trabalhei (e acredito que em todas que existiam), havia o Staff Leader e o Crew Manager, ambos cargos de liderança e para quem já teve experiência anterior como voluntário do evento. O primeiro coordenava os horários de chegada, de almoço, de pausa e de saída dos voluntários; já o Crew Manager era o responsável pela área como um todo.

Nas equipes em que trabalhei, as funções eram sempre repassadas no início de cada turno e os líderes (e colegas também) estavam sempre dispostos a ajudar. O grande aprendizado foi que cada pessoa tem a sua tarefa e está designada a fazer aquilo da melhor maneira possível; se algo fugia do seu alcance, o Staff Leader era a melhor pessoa para ajudar. Era melhor assumir que não sabia algo do que fingir e errar.

 
 

Em nenhum momento as funções de voluntária pareciam chatas ou rígidas demais: tinha momento para conversa com os colegas de balcão, tinha papo com participantes, tinha ajuda das pessoas, tinha a hora do almoço (com muito hambúrguer, pizza e comidinhas tex-mex), o clima era muito bom. E, de repente, já era hora de aproveitar o festival como participante.

POSTERS | Painel de posters à venda no SXSW 2019, que aconteceu entre os dias 8 e 17 de março em Austin, no Texas (Foto: Paul Hudson)

POSTERS | Painel de posters à venda no SXSW 2019, que aconteceu entre os dias 8 e 17 de março em Austin, no Texas (Foto: Paul Hudson)

O fim do expediente virava o início do turno como participante, e era quando virava a chavinha do meu cérebro para aproveitar as oportunidades que apareciam: conferir as palestras, checar as ativações das marcas, pegar brindes (e drinks), fazer stories (tenho 3 destaques no meu perfil de Instagram, @schuvinha), andar pela cidade, ufa!, era muita coisa ao mesmo tempo.

A correria faz parte do SXSW: você vê milhares de pessoas andando, outras correndo, outros usando os patinetes e bicicletas elétricos, outros usando os transportes do festival. É uma movimentação superdivertida.

Sobre as palestras, consegui ver ao todo sete, que parece pouco perto das milhares que fazem parte da programação. Mas, considerando que fazia 6h de trabalho voluntário por dia, foi um bom número.

DRONE LIFE | Inovação e prototipagem também fizeram parte da agenda do SXSW 2019 (Foto: Paul Hudson)

DRONE LIFE | Inovação e prototipagem também fizeram parte da agenda do SXSW 2019 (Foto: Paul Hudson)

A estratégia era escolher várias palestras para o dia, mesmo que em horários simultâneos e, assim, estabelecer aquelas que eram possíveis de assistir. As palestras acontecem dentro do Austin Convention Center e também em hotéis do entorno (por isso tantas pessoas se deslocando) e era preciso calcular o tempo para ir de um lugar para o outro.

Ainda bem que existia o app do festival para ajudar nessa hora. Acabei fazendo um mix de temas, mesmo que não tão direcionados ao meu trabalho. Com esse plano, escolhi temas como mulheres na tecnologia, tendências, mulheres na música, cannabusiness e acessibilidade.

O cannabusiness ganhou destaque e as palestras desse tema eram patrocinadas pela Leafly, um portal de conteúdo sobre esse mercado. Por causa do crescimento do cannabusiness nos Estados Unidos, havia muitas palestras com abordagens bem interessantes, como a que tratou da adaptação e regulamentação da propaganda e marketing digital para divulgar os produtos (nessa, infelizmente, não cheguei a tempo).

A participação das mulheres como palestrantes foi bem forte, reunindo muitas celebridades (Elizabeth Moss, Gwyneth Paltrow), CEOs, nomes fortes da política (Alexandria Ocasio-Cortez) e muitas outras. Foi uma representatividade bem importante.

Foi interessante perceber a mudança de público. Como o festival é dividido em cinco grandes categorias - Education, Music, Film, Interactive e Game - muitos brasileiros (não vou dizer só publicitários, mas os que vão patrocinados por marcas ou a trabalho) acompanham só os dias do Interactive, que, de fato, é o mais relevante e com maior aderência de quem trabalha com comunicação e criatividade. Com essa oportunidade, pude ver como o público muda, o festival se adapta e até mesmo como a cidade se transforma.

A experiência que fica é muito pessoal. Para mim, ficou claro que é preciso estar disposto a absorver tudo o que for possível - chega a ser até cansativo! Mas a bagagem de conhecimento que trazemos depois de uma viagem assim, ah, esse excesso vale muito a pena. 

Créditos fotos: Silvia Guerra / Paul Hudson / Ståle Grut / NRKbeta

 
 
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